Nas terras ancestrais da Albânia, onde as montanhas beijam o céu e o
Mar Adriático abraça a costa, nasceu Arta, filha de uma longa linhagem
de guerreiros e sábios ilírios.
Desde jovem, Arta demonstrava uma conexão sobrenatural com a terra. Ela podia ouvir os sussurros do vento nas florestas de Valbona e sentir o pulsar do coração da nação nas águas cristalinas do Lago Ohrid.
Sua jornada de transformação começou durante o Festa e Zanave, o antigo
festival das fadas. Enquanto dançava ao som hipnótico da lahuta, Arta
entrou em transe. Nesse momento místico, ela recebeu a visão de Rozafa, a
lendária mulher albanesa que se sacrificou para construir um castelo inexpugnável.
Guiada por essa visão, Arta embarcou em uma peregrinação pelos lugares sagrados da Albânia. Ela meditou nas ruínas de Apolônia, banhou-se nas águas termais de Bënjë e escalou o Monte Tomorr, onde dizem que os antigos deuses ilírios ainda habitam.
No pico do Tomorr, durante uma noite de lua cheia, Arta passou por sua transformação final. Asas negras como as da águia bicéfala brotaram de suas costas, e um halo dourado, reminiscente da coroa de Skanderbeg, circundou sua cabeça. Ela se tornou a encarnação viva do espírito albanês.
Como arcanjo da Albânia, Arta se tornou a guardiã não apenas do território,
mas da alma albanesa. Ela viajava pelo mundo, aparecendo em sonhos e
visões para albaneses da diáspora, lembrando-os de suas raízes e
inspirando-os a manter viva a chama de sua herança.
Nas horas mais sombrias, Arta surgia como um farol de esperança. Durante o
regime comunista, ela sussurrava palavras de conforto e resistência. Na
guerra do Kosovo, suas asas protetoras abrigavam refugiados. Na
reconstrução pós-comunismo, ela inspirava inovação e preservação
cultural.
Arta se tornou um símbolo de unidade para todos os albaneses – do norte ao sul, de Tirana a Pristina, das comunidades arbëreshë na Itália aos bairros albaneses em Nova York. Ela representava a resiliência de um povo que sobreviveu a impérios, ditaduras e guerras, sempre mantendo sua identidade única.
Hoje, dizem que Arta pode ser vista voando sobre as montanhas dos Bálcãs em noites de lua cheia. Seu canto, uma mistura de iso-polifonia tradicional e os gritos de guerra dos antigos ilírios, ecoa pelos vales, lembrando
cada albanês de sua herança gloriosa e seu potencial ilimitado.
A lenda de Arta, o arcanjo albanês, tornou-se mais do que uma história – é
um lembrete vivo do espírito indomável da Albânia, um chamado para cada
albanês honrar seu passado enquanto constrói um futuro brilhante. Onde
quer que haja um coração albanês batendo, Arta está lá, guardando, inspirando e elevando seu povo para novas alturas.