Em uma pequena vila nas margens do Rio Zaire, em Angola, havia uma mulher chamada Sofia. Desde jovem, ela foi uma figura incomum. Não se conformava com os papéis tradicionais impostos às mulheres da sua comunidade, onde o destino de muitas era limitado à casa e à família. Sofia sentia uma força interior, uma vontade de lutar por seus direitos e pelos direitos de outras mulheres ao seu redor.
Filha de uma mãe que trabalhava incansavelmente para sustentar a família e de um pai que sempre acreditou que sua filha deveria estudar e se tornar alguém com voz, Sofia foi incentivada desde cedo a acreditar em seu valor. Ela foi para a escola, algo raro para as mulheres da sua aldeia, e ao longo dos anos, sua mente se abriu para o mundo de possibilidades que aguardavam as mulheres. Sofia se tornou professora, depois líder comunitária e, finalmente, uma defensora feroz pelos direitos das mulheres e das crianças em sua região.
À medida que o tempo passava, Sofia se destacava não só por sua inteligência, mas pela coragem com que enfrentava aqueles que tentavam diminuir o papel da mulher na sociedade angolana. Quando as condições de vida na vila pioraram, com escassez de alimentos e uma crise econômica que afetava especialmente as mulheres e suas famílias, Sofia tomou uma atitude.
Mas nem todos estavam satisfeitos com o movimento que Sofia estava criando. Muitos homens poderosos da região viam suas ações como uma ameaça à sua autoridade. Em uma noite, quando Sofia estava reunida com algumas das mulheres mais influentes da vila para discutir uma nova estratégia de empoderamento, um grupo de homens armados invadiu o local, causando medo e pânico. Sofia, sempre valente, tentou negociar a paz, mas seus esforços foram em vão. Em meio ao caos, ela foi atingida por um golpe, caindo ao chão. A vila, que havia sido uma vez cheia de esperança, agora parecia perdida, sem sua líder.
Porém, antes de perder os sentidos, Sofia fez um pedido. Com o último fio de sua energia, ela orou aos espíritos ancestrais, pedindo que sua morte não fosse em vão. Ela pediu para que sua visão, sua luta e sua paixão pelo empoderamento feminino continuassem a viver, que ela pudesse fazer mais, não só para aquelas mulheres, mas para todas as mulheres da sua terra.
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O que ninguém sabia, nem mesmo Sofia, é que seus pedidos foram ouvidos. A força e a paixão com que ela lutou pela igualdade e pela liberdade ecoaram no coração dos espíritos ancestrais. Naquele momento, o grande espírito Nzambi, que guarda as energias da terra, do céu e dos corações humanos, apareceu diante de Sofia. Ele a olhou com sabedoria e compaixão e disse:
“Você não foi apenas uma líder, Sofia, você foi a voz de tantas que não puderam falar. Você será transformada em uma anja, uma guia eterna para todas as mulheres que ainda lutarão pela liberdade e igualdade.”
Sofia, com seu espírito forte e inquebrantável, foi envolvida em uma luz brilhante que parecia refletir o brilho de todas as estrelas do céu. Seus olhos se tornaram estrelas cintilantes, e suas asas, feitas de pura luz e energia, a elevaram para o céu. Ela se transformou em uma anja do empoderamento e da liberdade, uma presença constante para todas as mulheres de Angola.