Nas colinas verdes de Gitega, no coração do Burundi, nasceu Ntwari Ndayizeye, um jovem cujo nome significava “herói” em kirundi. Desde cedo, Ntwari demonstrava uma coragem tranquila e uma empatia rara. Cresceu em uma pequena aldeia onde a vida girava em torno das tradições da comunidade, da música dos tambores batimbos e da convivência em harmonia com a natureza. Seus pais, agricultores dedicados, cultivavam milho e mandioca, e sempre ensinaram a importância da solidariedade em tempos de fartura e de dificuldade.
Ntwari era fascinado pelas histórias contadas pelos mais velhos da vila. Entre as lendas, havia a do tambor mágico que, ao ser tocado, unia povos em tempos de guerra. Essas narrativas alimentavam sua imaginação e despertavam nele o desejo de promover a paz. Contudo, a realidade de seu país era marcada por tensões étnicas e desafios econômicos que frequentemente abalavam a serenidade das colinas.
Aos 9 anos, Ntwari viveu sua primeira grande tragédia. Durante uma tempestade, sua irmã mais velha, Aline, foi levada pela enchente de um rio. O luto uniu a família e fortaleceu a fé de Ntwari, que passou a frequentar mais assiduamente a igreja da aldeia, buscando consolo e significado. Seu pastor lhe disse uma vez: “Ntwari, sua alma é como uma chama que pode iluminar até os momentos mais sombrios.”
Aos 14 anos, Ntwari começou a frequentar uma escola em Bujumbura, a capital, graças a uma bolsa de estudos oferecida por uma ONG. Lá, ele se destacou não apenas por sua inteligência, mas também por seu caráter altruísta. Durante os fins de semana, voltava à sua aldeia para ensinar as crianças locais a ler e a escrever. Inspirado pelas histórias de resistência e resiliência do povo burundiano, ele sonhava em um dia se tornar professor e ajudar a moldar um futuro melhor para seu país.
Em uma tarde chuvosa, quando tinha 19 anos, Ntwari estava em um ônibus retornando para Gitega quando o veículo foi parado por homens armados. Todos os passageiros foram obrigados a descer, e o medo pairava no ar. Demonstrando uma coragem inabalável, Ntwari começou a dialogar com os homens, implorando pela segurança de todos. Ele ofereceu-se para ficar no lugar dos outros, mas, milagrosamente, após sua intervenção, os homens permitiram que o grupo seguisse em frente ileso. Esse evento marcou profundamente sua vida.
Meses depois, enquanto trabalhava em um projeto de construção de poços em aldeias remotas, Ntwari foi surpreendido por um deslizamento de terra. Preso sob os escombros, ele orou fervorosamente pela segurança de seus colegas e pelo bem de sua comunidade. Foi então que sentiu uma calma extraordinária e uma luz envolvente que parecia emanar de dentro de si. Ao ser resgatado, percebeu que algo havia mudado. Sua presença agora transmitia serenidade e esperança a todos que o cercavam.
Ntwari passou a ser chamado de “Anjo das Colinas”. Com sua nova energia espiritual, ele liderou iniciativas para promover a reconciliação entre comunidades divididas, usando a música dos tambores tradicionais para celebrar a união e a cultura compartilhada. Sob sua orientação, poços foram construídos, escolas revitalizadas e muitos jovens encontraram inspiração para buscar um caminho de paz.
Hoje, Ntwari é lembrado como um jovem que incorporou o espírito de resiliência e solidariedade do Burundi. Seu legado permanece vivo nas colinas que tanto amava, provando que, mesmo em um mundo cheio de desafios, a bondade e a esperança podem criar asas e transformar vidas.