Han-Yeong nasceu sob um céu encoberto no coração das montanhas de Myohyang, um lugar de majestosa serenidade e de histórias que sussurram segredos antigos nas brisas. A região, conhecida por suas montanhas místicas e pelo Templo Pohyon, era um símbolo de cultura e espiritualidade na Coreia do Norte. Embora o país enfrentasse sombras de isolamento e restrição, Myohyang era um refúgio de beleza intocada, onde tradições e mitos ancestrais permaneciam vivos.
Desde cedo, Han-Yeong demonstrava uma curiosidade incomum e uma bondade que transcendia as dificuldades da vida. Ele era conhecido por ajudar os aldeões, mesmo sendo apenas um garoto. Suas mãos pequenas colhiam ervas medicinais das montanhas para curar os enfermos, e sua voz suave recitava histórias de antigos protetores celestiais, que ele aprendera com sua avó. Essas histórias falavam de espíritos que guiavam a humanidade nos momentos de maior escuridão, e Han-Yeong sonhava em ser um deles.
Han-Yeong tinha um espírito resiliente, moldado pelo contraste entre as adversidades de sua terra natal e a beleza serena ao seu redor. Ele possuía um talento especial: a habilidade de ouvir o “sopro da montanha”, como os anciãos chamavam. Era como se ele compreendesse os segredos do vento, antecipando mudanças no clima ou perigos que se aproximavam. Isso fazia dele um protetor para sua pequena aldeia, guiando pescadores perdidos e alertando sobre tempestades iminentes.
Mas o que realmente o destacava era sua compaixão. Han-Yeong acreditava que cada vida tinha valor, mesmo em um mundo que às vezes parecia indiferente. Seu coração era sua força, e ele nunca hesitava em sacrificar seu conforto pelo bem dos outros.
O momento que selou o destino de Han-Yeong ocorreu em um inverno rigoroso, quando uma avalanche ameaçou engolir sua aldeia. Avisado pelo “sopro da montanha”, Han-Yeong reuniu os moradores no único lugar seguro que conhecia: uma antiga caverna sagrada, onde diziam que os espíritos ancestrais residiam. Mesmo diante do perigo, ele voltou sozinho para resgatar uma criança perdida.
Enquanto neve e rochas desabavam ao seu redor, Han-Yeong encontrou a menina presa em um barranco. Ele a envolveu com seu próprio casaco, protegendo-a do frio cortante, e carregou-a até a segurança. Suas últimas palavras antes de desmaiar foram um pedido aos ancestrais para protegerem seu povo. Ele morreu naquela noite, mas sua bravura salvou a aldeia inteira.
Quando Han-Yeong despertou, estava em um lugar celestial, envolto por luz dourada. Os arcanjos o haviam observado durante sua vida, admirando sua coragem e seu sacrifício. Eles o escolheram para se tornar um dos 10.000 anjos, com a missão de proteger os mais vulneráveis e inspirar a humanidade em tempos de desespero.
Agora, como anjo, Han-Yeong carrega consigo a sabedoria das montanhas e o amor por sua terra natal. Ele é conhecido como o Guardião da Esperança, viajando entre os mundos para oferecer força àqueles que enfrentam adversidades. Sua presença é como uma brisa suave, trazendo conforto e renovação.
Han-Yeong possui asas negras, que parecem refletir os raios do sol ao nascer. Seus ombros estão marcados por tatuagens que representam as montanhas de Myohyang, simbolizando força e equilíbrio. Ele veste uma saia branca, um lembrete de sua conexão com a natureza e os ancestrais.
Sua história inspira não apenas sua aldeia natal, mas também o mundo inteiro. Ele representa a ideia de que mesmo nos lugares mais isolados e desafiadores, a bondade e o sacrifício podem transcender barreiras, trazendo luz e redenção.