Amina nasceu em um pequeno vilarejo nas margens do Golfo de Tadjoura, no pequeno, mas vibrante, país de Djibuti. Filha de uma família de pastores nômades afar, sua infância foi marcada pelas dunas douradas, pelos cânticos ancestrais que ecoavam durante as cerimônias familiares e pelo calor escaldante do deserto. Desde pequena, ela demonstrava uma curiosidade insaciável e uma sensibilidade que transcendia sua idade.
Aos cinco anos, Amina acompanhava sua avó, Yasmin, uma das mais respeitadas contadoras de histórias da comunidade. Yasmin era uma guardiã das tradições orais, narrando lendas de bravura e histórias dos ancestrais que cruzaram o deserto em busca de novas terras. Uma dessas histórias era sobre os “Guardadores da Luz”, seres celestiais que protegiam os humildes e puniam os cruéis. Amina escutava com olhos brilhantes, imaginando como seria carregar tamanha responsabilidade.
Na adolescência, sua vida mudou quando uma forte seca atingiu a região. Os rebanhos começaram a definhar, e a família precisou migrar para a cidade de Djibuti, onde Amina conheceu um mundo completamente diferente. A cidade, com seu mercado cheio de especiarias, tecidos coloridos e vozes em várias línguas, encantava e assustava a jovem. Lá, ela começou a frequentar uma escola comunitária, onde teve acesso a livros pela primeira vez. Foi nesse período que ela descobriu sua paixão por aprender e a vontade de ajudar seu povo.
Amina cresceu se dividindo entre os estudos e as tarefas domésticas. Apesar das dificuldades, ela nunca perdeu o sorriso. Aos vinte anos, começou a trabalhar como professora em uma pequena escola na periferia da cidade, ajudando crianças que, como ela, vinham de famílias humildes. Sua dedicação e seu espírito altruísta chamaram a atenção da comunidade.
Certa noite, enquanto caminhava de volta para casa após um longo dia de trabalho, Amina foi surpreendida por um brilho intenso vindo do céu. Uma figura luminosa, com asas majestosas, apareceu diante dela. A entidade, que se identificou como Ishtariel, um guardião celestial, disse que o mundo precisava de alguém como ela — um coração puro, uma mente sábia e uma alma corajosa — para combater as forças sombrias que ameaçavam a humanidade.
Inicialmente incrédula, Amina sentiu uma onda de calor invadir seu corpo. Aos poucos, percebeu que algo mudava dentro dela. Seus sentidos ficaram mais aguçados, e uma energia desconhecida pulsava em suas veias. Ishtariel explicou que ela havia sido escolhida para se tornar uma arcanja, uma protetora da luz, com a missão de defender os inocentes e preservar a harmonia no mundo.
A transição não foi fácil. Amina passou meses treinando em um plano espiritual, guiada por outros guardiões celestiais. Ela aprendeu a manipular a energia divina, a voar com suas asas recém-adquiridas e a enfrentar criaturas que personificavam o mal. Suas asas, de um marrom profundo que lembrava a terra do deserto, eram marcadas por detalhes dourados que brilhavam à luz celestial. Ao longo de seu corpo, tatuagens complexas surgiram, símbolos que contavam histórias ancestrais e serviam como canal para sua energia divina. Suas vestes, brancas como a luz mais pura, pareciam se fundir à sua pele, como se fossem uma extensão de seu corpo, talhadas diretamente por forças divinas.
Durante esse tempo, sua conexão com suas raízes em Djibuti nunca desapareceu. Ela carregava consigo a lembrança das histórias de sua avó, das lutas de seu povo e da força inabalável da comunidade que a criou.
Quando finalmente retornou ao mundo terreno, Amina não era mais a jovem professora. Agora, ela era uma arcanja, suas asas marrons brilhavam com as cores do deserto — dourado, cobre e branco. No entanto, sua essência continuava a mesma. Ela usava seus dons para ajudar a cidade de Djibuti, protegendo os vulneráveis, curando os feridos e guiando aqueles que haviam perdido a esperança.
Sua história se espalhou pelo país, transformando-a em um símbolo de força e inspiração. Nas noites estreladas, enquanto caminhava pelas dunas, ela olhava para o céu e sussurrava uma prece: que todos em Djibuti e além encontrassem a luz dentro de si. Amina, a jovem que um dia sonhara em ser uma heroína das histórias de sua avó, agora era a protagonista de uma nova lenda — uma que seria contada por gerações.