Era uma manhã tranquila em Cebu, e como de costume, acordei com os primeiros raios de sol invadindo meu pequeno quarto. Meu nome é Amara, tenho 18 anos, e minha vida é uma mistura de tradições antigas e sonhos modernos. Meu dia começou com o aroma doce do pandesal, que minha mãe assava na cozinha, enquanto o som das crianças saindo para jogar sipa na rua, ecoava pelas janelas.
Depois de ajudar minha mãe na preparação do café da manhã – arroz, tuyo e ovos fritos – me despedi dela com um beijo na testa, um gesto tradicional de respeito que aprendemos desde pequenas. Caminhei até a escola, passando pelas ruas estreitas decoradas com banderitas coloridas que sobraram da última festa de Santo Niño. Adoro essa época do ano, quando as pessoas decoram suas casas, celebrando com danças e procissões.
A escola era um lugar onde eu me sentia dividida entre duas Amaras: uma que queria honrar as tradições da minha família e outra que sonhava em viajar pelo mundo e ser artista. Durante o intervalo, eu e minhas amigas falávamos sobre o próximo festival de Sinulog, planejando nossas roupas e ensaiando os passos de dança. O Sinulog é mais do que uma celebração religiosa; é uma explosão de cor, música e fé que une todos na cidade.
À tarde, fui até o mercado com minha avó. Ela me contou histórias antigas sobre Diwatas, espíritos protetores das florestas, e sobre como nossas ancestrais honravam a natureza. Enquanto comprávamos frutas e peixes frescos, ela me disse algo curioso: “Amara, você tem um brilho especial. Talvez um dia você seja chamada para algo maior.” Ri, achando que era apenas mais uma das suas superstições.
Mas naquela noite, tudo mudou. Enquanto dormia, sonhei que estava em uma vasta floresta iluminada por vaga-lumes. No centro, uma mulher vestida de ouro e luz apareceu. Ela se apresentou como Maria Makiling, a lendária guardiã das Filipinas. “Amara,” ela disse, “você foi escolhida para ser a Arcaja das Filipinas. Protegerá o equilíbrio entre as tradições e o mundo moderno, entre a natureza e o progresso. Está pronta?”
Acordei suada e confusa. Como uma jovem simples como eu poderia carregar uma missão tão grande? Mas na manhã seguinte, sinais começaram a aparecer: flores desabrochando em minha presença, pássaros seguindo-me pelos caminhos, e uma sensação inexplicável de força em meu peito. Minha avó não pareceu surpresa quando contei a ela. “Sempre soube,” disse ela, sorrindo.
Minha conversão em Arcaja foi oficializada em um ritual sagrado realizado em uma montanha sagrada chamada Monte Apo. Guiada por anciões e líderes espirituais, recebi um amuleto, o anting-anting, que amplificava minha conexão com as forças da natureza e os espíritos ancestrais. Foi um momento emocionante e assustador. Senti um turbilhão de energia ao meu redor, como se as vozes do passado e do presente ecoassem dentro de mim.
Agora, minha missão é clara: proteger nossas florestas das indústrias gananciosas, educar os jovens sobre nossas tradições e criar uma ponte entre o velho e o novo. Às vezes, sinto o peso dessa responsabilidade, mas quando vejo o brilho nos olhos das crianças ou sinto o vento suave trazendo o perfume das árvores, sei que não estou sozinha. Sou Amara, a Arcaja das Filipinas, e minha jornada está apenas começando.