GUIANA

Anya, com sua voz que ecoava como o trovão, desafiou os moradores do vilarejo a uma escolha. A decisão era clara: ou se levantavam contra a destruição, ou sucumbiriam a ela.

Nas florestas tropicais da Guiana, onde os rios serpenteiam como artérias vivas e o céu parece nunca descansar, vivia um arcanjo esquecido pelas escrituras, mas reverenciado pela terra. Seu nome era Anya.

Anya não era como os outros arcanjos que emparelhavam acima das nuvens, distantes e etéreos. Ela caminhava entre os humanos, ouvindo suas histórias e protegendo aqueles que viviam em harmonia com a terra. Mas também era temida. Quando a natureza era desrespeitada, as águas se agitavam, e Anya surgia com olhos como tempestades, trazendo tanta justiça quanto fúria, varrendo a ganância e restaurando o equilíbrio que jamais deveria ter sido quebrado.

Certa vez, um vilarejo à beira do Rio Essequibo começou a sofrer. Os peixes desapareceram, as colheitas murcharam, e as águas, antes cristalinas, se tornaram densas e turvas. Os antigos sussurravam histórias antigas: “Anya está furiosa.”

O vilarejo descobriu que uma mineradora havia chegado à floresta, despejando veneno no coração dos rios. Máquinas rasgavam a terra, enquanto os homens ignoravam os avisos dos mais velhos. Na primeira noite após a chegada da mineradora, o céu escureceu de forma antinatural, e uma chuva torrencial desabou. Mas, ao invés de aliviar, parecia trazer mais peso, como se o rio estivesse chorando.

“Vocês ignoraram o equilíbrio da floresta e abriram caminho para aqueles que a destroem. Mas eu ofereço uma escolha: lutem por este rio, por esta terra, ou afundem com aqueles que a condenaram.” –

Anya, com sua voz que ecoava como o trovão, desafiou os moradores do vilarejo a uma escolha. A decisão era clara: ou se levantavam contra a destruição, ou sucumbiriam a ela.

Os aldeões, inicialmente amedrontados, encontraram força nas palavras de Anya. Juntos, homens, mulheres e crianças, ergueram suas vozes em uníssono, desafiando a mineradora. A revolta era pacífica, mas inabalável.

A mineradora, sentindo sua autoridade ameaçada, enviou seus homens para silenciá-los. Mas Anya, com a fúria da natureza em seus olhos, os repeliu com a força de uma tempestade. A batalha foi intensa, a terra tremeu e o céu rugiu.

No auge da luta, Anya, para proteger os aldeões, absorveu a energia negativa que emanava da mineradora e da floresta contaminada. Seu corpo brilhou intensamente, e por um momento, ela se tornou a própria tempestade, purificando a terra. Mas o sacrifício foi grande. Com um último suspiro, Anya se dissolveu em uma chuva de pétalas e luz, retornando à natureza que tanto amara.

A mineradora foi destruída, e a floresta, lentamente, começou a se recuperar. Os aldeões, em sua dor, prometeram proteger a natureza e honrar o legado de Anya. E assim, a arcanja esquecida tornou-se a guardiã eterna da floresta, sua memória viva em cada gota de água cristalina e em cada folha que renascia.

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