Eu sempre me senti conectada ao Kuwait de uma forma única. Talvez fosse a energia que pulsava pelas ruas movimentadas de Kuwait City, onde arranha-céus de vidro refletem a luz do deserto, ou talvez fosse o calor do deserto que me lembrava da força interior que eu carregava. Desde pequena, a cultura árabe sempre me fascinou — a beleza das mulheres de abayas elegantes, a suavidade das canções árabes e a sabedoria que permeia cada esquina. Mas, há alguns meses, algo inesperado aconteceu. Algo que mudou minha vida para sempre.
Era uma noite quente de verão. O céu estrelado sobre o deserto estava mais claro do que nunca, e eu, como de costume, caminhava sozinha pelas ruas da cidade. Eu gostava desses momentos, quando tudo parecia em silêncio, exceto pelos sons das minhas sandálias batendo no chão e a brisa suave trazendo o aroma das especiarias do mercado. Foi quando passei por uma pequena mesquita que o milagre aconteceu.
No meio da rua, encontrei um homem idoso, sentado ao lado de uma pilha de livros. Ele me olhou com seus olhos profundos e uma expressão de serenidade que quase parecia sobrenatural. Sem dizer uma palavra, ele me estendeu um pequeno livro. A capa era dourada, mas os desenhos nela pareciam mudar à medida que eu olhava. Curiosa, peguei o livro.
Quando abri, uma luz intensa emana do interior, e a palavra “fé” brilhou na primeira página. No instante seguinte, uma energia que eu nunca tinha sentido antes percorreu todo o meu corpo. O calor do deserto não era mais o que eu sentia — agora, era uma sensação de poder, de transformação. O livro desapareceu, e eu caí de joelhos. Uma luz dourada me envolveu, mas o que mais me impressionou foi o que aconteceu em seguida.
Asas negras se formaram nas minhas costas. Elas eram imensas e elegantes, com penas escuras como a noite, mas com reflexos sutis de um brilho intenso. As asas se estenderam para o céu, como se quisessem abraçar o infinito. Minha pele começou a brilhar com uma energia radiante, e ao meu redor, as ruas de Kuwait City pareciam se encher de uma luz misteriosa. Meu vestido branco se moldou ao meu corpo, com desenhos de ramos que se entrelaçavam e formavam padrões, quase como se o universo estivesse se desenhando sobre mim. Era um vestido simples, mas de uma beleza indescritível, que me fazia sentir como se eu fosse uma rainha do deserto.
Me vi de pé, com uma nova sensação de poder e confiança. Eu não era mais a mesma pessoa. Eu era Layla, uma anja. Uma mulher empoderada, com uma missão clara: ajudar aqueles que precisavam de força, de direção, e de fé. A sensação de segurança e determinação fluía através de mim como uma onda. Eu sabia que minha presença agora representava algo mais do que eu mesma — era uma força que vinha do coração do Kuwait, das suas tradições antigas, mas também da minha própria essência, agora conectada ao divino.
Minhas asas negras agora eram um símbolo de poder e liberdade, e meu vestido com os ramos entrelaçados me lembrava de que, assim como as plantas do deserto crescem mesmo em meio à adversidade, eu também era feita para superar qualquer obstáculo. O Kuwait, com toda a sua força e beleza, agora tinha uma anja que caminhava pelas suas ruas, pronta para espalhar sua luz e energia.
Eu sabia que não era apenas uma mensageira da fé, mas uma guardiã do espírito das mulheres do deserto — fortes, resilientes, e sempre em busca de um futuro melhor. Eu, agora, era parte disso, com minhas asas negras e minha confiança inabalável. O deserto não tinha mais segredos para mim, e com cada passo, eu sentia que estava mais perto de cumprir a missão para a qual fui escolhida.