Mai Linh nunca havia visto o sol banhar as copas das árvores ou a lua refletir em um lago sereno. Nascida em uma tribo em Laos, que reverenciava a natureza, sua cegueira era vista não como uma maldição, mas como um dom. Desde pequena, ela “via” o mundo de uma forma única.
A lenda conta que, quando Mai Linh era ainda uma criança, um grande incêndio devastou a floresta ancestral de sua tribo. As chamas consumiam tudo em seu caminho, e as árvores, que eram como familiares para a pequena arcanja, gritavam de dor. Impulsionada pelo desespero, Mai Linh suplicou aos deuses que salvassem a floresta. Nesse momento, um raio de luz intensa a envolveu, e ela sentiu uma dor aguda nos olhos. Ao abrir os olhos novamente, ela pode sentir que a floresta estava salva, mas ela havia perdido a visão.
Em troca da vida da floresta, Mai Linh havia oferecido a sua própria luz. No entanto, ela não se lamentou por sua perda. A cegueira a havia libertado das distrações do mundo visível, permitindo-lhe concentrar todos os seus sentidos na natureza. Ela podia ouvir o sussurro do vento entre as folhas, sentir a pulsação da seiva nas árvores e até mesmo distinguir as diferentes espécies de flores pelo aroma.
Com o passar dos anos, Mai Linh tornou-se a guardiã da floresta. Ela conhecia cada árvore por seu nome, compreendia suas histórias e necessidades. As raízes se entrelaçavam com as dela, formando uma rede de comunicação invisível. Ela passava seus dias explorando a floresta, guiada pelo canto dos pássaros e pelo cheiro da terra úmida.
Em uma noite de lua cheia, Mai Linh sentiu uma perturbação na floresta. As árvores estavam agitadas, seus ramos tremiam com medo. Ela seguiu a energia negativa até chegar a uma clareira onde uma velha árvore, a mais antiga da floresta, estava doente. Suas raízes estavam secas e suas folhas murchas.
Mai Linh se ajoelhou diante da árvore e encostou sua testa em sua casca rugosa. Ela sentiu a dor da árvore, a tristeza de estar morrendo. Com a ajuda dos espíritos da floresta, Mai Linh conseguiu extrair a doença da árvore e restaurá-la à saúde. A árvore, agradecida, sussurrou em seus ouvidos uma profecia: “Um dia, a floresta precisará de você mais do que nunca. Lembre-se, a luz interior é mais brilhante do que qualquer outra.”
Mai Linh sabia que a profecia se cumpriria. Até então, ela continuaria a cuidar da floresta, guiada pela luz interior e pela profunda conexão que a unia às árvores.