Nos tempos antigos, nas vastidões do deserto da Mauritânia, vivia uma jovem chamada Leila, cujo nome significava “noite”. Leila era conhecida por sua bondade e coragem. Ela era filha de um humilde pastor e cresceu aprendendo a importância do deserto, que para muitos era uma terra árida, mas para ela, um lugar cheio de vida, histórias e mistérios.
Leila acreditava que cada estrela no céu do Saara guardava uma alma ancestral, e que os ventos que sopravam pelas dunas carregavam as vozes dos que já partiram. Desde criança, ela cuidava dos necessitados de sua tribo, distribuindo água dos poços escassos e alimentos que sua família mal podia dividir.
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Um dia, uma grande calamidade atingiu a tribo de Leila. Um grupo de mercadores gananciosos descobriu um oásis escondido nas terras da tribo e decidiu tomá-lo à força. Eles ameaçaram envenenar a água e expulsar os habitantes, condenando-os à morte no deserto.
Leila, com o coração cheio de coragem, foi até os mercadores sozinha, oferecendo-se como refém em troca da segurança de seu povo e do oásis. Os mercadores, surpresos com tamanha bravura, aceitaram o acordo, mas com uma condição cruel: se a tribo retornasse ao oásis, eles a executariam.
Mesmo sabendo do perigo, Leila não hesitou. Durante semanas, ela permaneceu sob vigilância, suportando o calor escaldante e a fome. Sua fé era inabalável, e suas orações ao céu foram ouvidas pelos ventos do deserto.
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Na noite mais escura, enquanto Leila olhava para as estrelas e sentia sua força diminuir, uma presença divina desceu sobre ela. Era Najma, a Arcanja das Areias Eternas. Najma, emocionada pela pureza de coração de Leila, apareceu em um feixe de luz celestial.
“Leila,” disse Najma, “tua bondade transcendeu os limites humanos. Tua coragem e sacrifício são dignos de algo maior. Hoje, te ofereço a eternidade, para que continues a proteger não apenas tua tribo, mas todos que cruzam este deserto.”
Com um último olhar para o céu estrelado, Leila aceitou. Em um instante, seu corpo mortal desapareceu, e ela renasceu como uma anja do deserto, com suas asas imponentes. Os mercadores, aterrorizados pela visão divina, fugiram, abandonando o oásis para sempre.
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A partir daquele dia, Leila tornou-se uma lenda entre o povo da Mauritânia. Eles passaram a chamá-la de “Leila al-Sahara”, a protetora do deserto. Diziam que ela aparecia para os viajantes perdidos, guiando-os com luzes dançantes sobre as dunas. Outros afirmavam que sua voz podia ser ouvida nos ventos, trazendo palavras de conforto aos aflitos.
Seu oásis, agora sagrado, nunca mais secou, mesmo nos anos mais difíceis. Os poços brotavam com uma água tão cristalina que era dita como abençoada pelas estrelas.
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A história de Leila é contada até hoje nas tribos nômades da Mauritânia. Quando os ventos sopram suavemente sobre as dunas e a noite se enche de estrelas, os anciãos dizem às crianças:
“É Leila, velando por nós. A mulher que se tornou anja e escolheu a eternidade para proteger seu povo.”
Sua história não é apenas um lembrete de sacrifício e amor, mas também uma prova de que mesmo as ações mais humildes podem ecoar através do tempo, transformando uma vida mortal em uma lenda celestial.
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