PERU

Joaquín, Alma Peruana

É, meu amigo, senta aí porque essa história é boa. Eu vou te contar como nasceu o Arcanjo do Perú. Mas não pensa que isso foi lá no tempo dos incas ou algo assim. Não, isso aconteceu bem mais perto do que você imagina, em um pequeno vilarejo escondido entre as montanhas dos Andes. Ah, e sim, essa história tem açúcar, feitiço e, claro, um toque de ceviche na alma.

Tudo começou em Chinchero, sabe? Aquela cidadezinha lá perto de Cusco, cheia de tecidos coloridos e o cheirinho de chicha morada no ar. Era um dia especial, a Fiesta del Sol, quando o vilarejo inteiro se reunia na praça para dançar, comer e agradecer aos apus, os espíritos das montanhas. Nesse dia, os anciãos costumam contar histórias antigas, e uma delas era sobre a profecia do Arcanjo do Perú.

Diziam que quando o país precisasse de proteção, um jovem corajoso seria escolhido pelos céus para se tornar o guardião de nossa cultura e tradição. Mas, convenhamos, todo mundo achava que isso era só papo de gente velha, dessas lendas para dar um tempero no dia. Só que a profecia tava prestes a acontecer.

Naquele mesmo dia, enquanto o povo dançava marinera e experimentava anticuchos, um menino chamado Joaquín estava lá em cima, no mirante de Moray. Sim, ele era do tipo que gostava de observar tudo, meio sonhador. É que Joaquín tinha uma coisa especial: ele fazia umas esculturas lindas com as pedras que achava por aí. Não era só talento, sabe? Tinha alma naquilo. As pessoas diziam que as mãos dele eram guiadas pelos apus.

E então aconteceu. Enquanto ele esculpia um pequeno condor em uma rocha, o céu escureceu de repente, e um raio caiu bem à frente dele. Não era um raio comum. Era como se fosse feito de luz dourada e azul, sabe? Joaquín nem teve tempo de pensar; uma voz ecoou, uma daquelas que faz o coração tremer: “Joaquín, você foi escolhido. Será o Arcanjo do Perú, guardião de sua história, seus povos e suas montanhas.”

Foi ali que tudo mudou. Joaquín recebeu suas asas da cor e tons da montanha. Com isso, ele também ganhou a missão de proteger o Perú contra tudo que ameaçasse sua identidade, desde a destruição da natureza até a perda de tradições ancestrais.

Mas Joaquín não era do tipo sério e solene, não. Ele era meio brincalhão, gostava de conversar com as lhamas e, sempre que podia, descia para dançar uma huayno com o povo. As crianças adoravam quando ele aparecia para contar histórias, e os anciãos ficavam felizes porque ele sempre lembrava a importância das tradições.

O Arcanjo do Perú não enfrentou demônios ou dragões. Seus maiores desafios eram as coisas do dia a dia, sabe? Ensinar as pessoas a valorizar a pachamama, cuidar das lagoas sagradas como Titicaca e preservar a música, as danças e a culinária. Porque, no fundo, ele sabia que o que faz o Perú ser especial não são só os lugares, mas as pessoas e suas histórias.

Dizem que até hoje, se você subir aí nas montanhas e ouvir o vento com atenção, vai escutar a risada de Joaquín. Ele continua cuidando de nós, com aquele jeitão de menino do interior, lembrando que o Perú é mais que um país. É um espírito vivo que precisa de amor e cuidado.

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