Meu irmão Koffi sempre foi o tipo de pessoa que você olha e pensa: “Esse cara nasceu para ser especial.” Não era só porque ele era forte e valente, mas também porque ele tinha um coração que parecia grande demais para caber no peito. Ele defendia todo mundo, dos mais velhos aos mais jovens, e fazia isso com um sorriso que deixava qualquer um mais leve. Mas nem eu, seu irmão mais novo, imaginava que ele estava destinado a algo tão grandioso.
Tudo começou numa noite calma na aldeia de Bukavu, às margens do Lago Kivu. Estávamos sentados ao redor da fogueira, ouvindo as histórias que nosso avô contava sobre os espíritos protetores do Congo. Koffi, como sempre, estava mais interessado em garantir que a cabra não escapasse do cercado do que na história em si. Mas então, algo estranho aconteceu. As chamas da fogueira subiram tão alto que parecia que iam tocar o céu, e de dentro delas surgiu uma figura dourada, como se fosse feita de luz pura.
“Koffi, você foi escolhido para proteger sua terra e seu povo,” disse a figura, com uma voz tão poderosa que fez até os galhos das árvores tremerem. Koffi olhou para mim, e eu vi algo raro nos olhos dele: dúvida. Mas, antes que ele pudesse falar qualquer coisa, a luz o envolveu, e quando ela reapareceu, lá estavam elas. Asas. Grandes, imponentes, escuras como a noite, com pontas que brilhavam como estrelas.
No início, ele tentou esconder o que tinha acontecido. “Estou ficando maluco,” ele disse, enquanto tentava colocar uma camisa velha por cima das asas, o que, claro, não deu muito certo. Mas as notícias se espalharam rápido, e logo a aldeia inteira sabia. Vieram os anciões, os curandeiros, até os chefes de outras aldeias, todos dizendo que isso estava nas profecias, que Koffi era o Arcanjo do Congo.
Foi assim que ele foi levado para um lugar sagrado nas montanhas de Virunga, onde ninguém mais podia entrar. Ele passou meses lá, treinando com os anciões, aprendendo a usar seus novos poderes. Dizem que ele lutou contra espíritos da floresta, enfrentou tempestades criadas por Nzasi, o deus dos raios, e até fez amizade com um leão que o seguiu até em casa.
Quando ele voltou, não era mais só o Koffi que eu conhecia. Ele era um homem mais forte, não só fisicamente, mas em espírito. Mas, ele ainda era meu irmão. Ainda me dava bronca quando eu quebrava alguma coisa e ainda ria das piadas sem graça que eu contava.
Mas agora ele tambem era um herói, e o mundo sabia disso. Salvou aldeias inteiras de deslizamentos de terra, criou barreiras para conter enchentes, e até derrotou um grupo de mercenários que estavam destruindo as florestas sagradas. Tudo isso sem nunca pedir nada em troca. Ele dizia que fazia parte de quem ele era agora.
Eu lembro de um dia em especial, quando uma criança da aldeia veio até ele, chorando porque tinha perdido seu cabrito. Koffi simplesmente sorriu, abriu as asas e voou para a floresta. Em menos de uma hora, voltou com o cabrito nos braços, rindo como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Para ele, talvez fosse, mas para aquela criança, ele era um anjo, literalmente.
Eu conto essa história porque o mundo precisa saber quem é Koffi. Ele não é apenas o Arcanjo do Congo, o herói com asas e poderes divinos. Ele é o irmão que me ensinou a ser corajoso, o amigo de todos, o defensor da nossa terra. Ele é a prova viva de que a verdadeira força não está só nos músculos ou nas asas, mas no coração. E se alguém me perguntar, eu vou dizer com orgulho: Koffi é o melhor irmão e o melhor Arcanjo que o Congo poderia ter.