Miguel Àngel acordava todos os dias ao amanhecer, quando o sol mal tocava as colinas verdes das fazendas de café que cercavam a pequena vila onde morava. Seus pais, sempre ocupados nas lavouras, trabalhavam incansavelmente para garantir o sustento de seus cinco filhos. Mas, por mais que se esforçassem, nunca era suficiente para alimentar todos e ainda pagar as contas.
Miguel tinha apenas 9 anos e sabia que a vida de sua família estava atrelada ao café, mas ele tinha um sonho diferente. Ele sonhava com o futuro que seus pais nunca puderam ter: estudar, aprender, crescer e, quem sabe, se tornar um grande doutor. Ele queria, mais do que tudo, melhorar a vida deles, dar uma casa melhor e, quem sabe, um futuro sem a dureza do trabalho nas lavouras. Mas a realidade fazia com que ele tivesse que abdicar dos seus sonhos. Ao invés de ir à escola, Miguel ajudava seus pais todos os dias, desde o primeiro raio de sol até o cair da noite.
Todas as noites, Miguel se deitava, olhando para as estrelas, e rezava em silêncio: “Por favor, que algo mude. Que eu possa estudar, aprender e mudar o futuro da minha família.”
E foi uma dessas noites, quando o vento trouxe o cheiro doce do café nas colinas e as estrelas pareciam mais brilhantes do que nunca, que algo maravilhoso aconteceu. Ao seu lado, apareceu uma figura luminosa, com asas largas, Miguel sentiui no mesmo momento que seu destino estava mudado. Era Oshún, a Guardiã da Infância, enviada dos céus para cumprir uma missão.
Oshún olhou para Miguel com um sorriso sereno e, com uma voz suave, disse: “Miguel Àngel, vejo a pureza de seu coração e o tamanho do seu sonho. O futuro das crianças dominicanas está em suas mãos. Eu sou Oshún, e minha missão é garantir que todas as crianças como você tenham a oportunidade de estudar, de aprender e de alcançar seus sonhos.”
Miguel, surpreso e emocionado, não conseguiu esconder as lágrimas. “Mas… como isso vai acontecer? Minha família não tem dinheiro. Não posso estudar.”
Oshún sorriu com ternura e tocou sua testa. “O caminho será difícil, mas você não estará sozinho. Eu vou lhe dar uma oportunidade: sua educação será possível, e você será a chave para abrir os caminhos para as outras crianças da sua vila e do seu país.”
Oshún acenou com a mão e, em um piscar de olhos, Miguel sentiu uma onda de luz invadir seu ser. Ele sentiu uma força renovada, uma vontade de não desistir, de lutar pela sua educação e pela educação de todas as crianças ao seu redor.
Oshún, então, desapareceu como uma estrela cadente, mas a promessa ficou gravada no coração de Miguel. Ele sabia que, apesar das dificuldades, teria forças para vencer e, um dia, levar a educação a tantas crianças como ele.
No dia seguinte, ao acordar, Miguel encontrou um caderno novo e uma caneta, presentes do Arcanjo Oshún. Ele sorriu e, com o brilho nos olhos, voltou a estudar, acreditando que a sua vida, e a vida de muitos outros, seria transformada para sempre.