SERRA LEOA

Amadu, leão da montanha

Eu sou Amadu, e esta é a minha história. Cresci em Freetown, a capital de Serra Leoa, um lugar onde o sol beija o mar e as colinas verdes sussurram as memórias de nossos ancestrais. Meu pai, um pescador, dizia que cada onda carrega um segredo e cada peixe capturado traz uma bênção. Minha mãe, cuidava da casa e da nossa familia, ela amava contar historias, passava as noites ao redor da fogueira narrando lendas dos Temne e Mende, os povos que deram alma a esta terra. Foi ali, ouvindo suas palavras, que aprendi sobre coragem, solidariedade e fé.

Serra Leoa não é apenas o lugar onde nasci – é quem eu sou. Aqui, vivemos ao ritmo dos tambores que ecoam nas festas e nas cerimônias de Poro e Sande, sociedades secretas que guardam nossa cultura. Nossos mercados, como o de Big Market, são um mosaico de cores e cheiros, onde a vida pulsa em cada esquina. Mas também carregamos cicatrizes: guerras, fome e a luta contra o ébola moldaram nossas histórias e endureceram nossas almas.

Eu tinha apenas doze anos quando a guerra civil chegou à minha aldeia. Foi o dia em que perdi meu irmão mais velho, Sorie, para a violência. Ele era meu herói, o tipo de pessoa que dava a última tigela de arroz a um vizinho faminto. Antes de partir, ele me disse: “Amadu, nunca deixe a escuridão apagar sua luz.” Essas palavras se tornaram o farol que guiou minha vida.

Na juventude, entrei para uma organização de jovens que ajudava sobreviventes da guerra. Passei anos ensinando crianças a ler e escrevendo cartas para mães que haviam perdido tudo. Foi ali que aprendi a arte do perdão e da empatia. Serra Leoa me ensinou que a dor pode ser transformada em força, assim como o diamante bruto se torna joia.

Hoje, percorro estas ruas que sempre fizeram parte de mim, mas algo mudou. Algo em mim. Quando recebi as asas, não sabia o que significava ser um Arcanjo. Eu pensei: “Por que eu? Um simples homem de Freetown?” Mas entendi que não foram minhas forças físicas ou talentos extraordinários que me tornaram digno. Foi a resiliência, a empatia e a esperança que aprendi aqui, na terra dos leões da montanha.

Minhas asas, que brilham sob o sol africano, não são apenas minhas. Elas pertencem a cada criança que sonha com um futuro melhor, a cada mãe que sacrifica tudo por sua família e a cada pescador que lança sua rede com fé no amanhã. Eu sou o Arcanjo de Serra Leoa porque sou feito das mesmas histórias, esperanças e lutas que moldam este país.

Quando sobrevoo as montanhas verdes ou as praias douradas, sinto as orações do meu povo. Ouço seus sussurros e promessas. E sei que minha missão é lembrar a todos que a luz nunca se apaga, mesmo nas noites mais escuras. Somos Serra Leoa, e enquanto houver coragem em nossos corações, sempre seremos um povo digno de asas.

Eu sou Amadu, e esta é minha promessa: continuarei a proteger minha terra, minhas pessoas e minhas histórias. Porque é isso que significa ser o Arcanjo de Serra Leoa.

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