Eu nunca fui o tipo de pessoa que acreditava em milagres. Na verdade, eu até ria disso. A vida de quem trabalha no Porto de Singapura é bem diferente das histórias de fantasia que você lê em livros. Aqui, tudo é concreto, prático. O barulho dos guindastes e dos contêineres, o cheiro de óleo de motor e o calor insuportável das manhãs de verão. Nada de luzes brilhantes e contos de fada, por aqui, é só suor, café forte e trabalho duro. E era isso que eu estava fazendo naquele dia.
Me chamo Jovan, e sou operário do porto. Trabalho ali desde que terminei a escola, há uns bons anos. A cidade mudou muito, com prédios como o Marina Bay Sands e o Gardens by the Bay ganhando mais altura e fama, mas o porto, esse sim, continua sendo o coração de Singapura. Tudo passa por ali. Carga de todo o mundo chega e sai a todo momento, e a pressão é imensa. A economia local, que já enfrentava desafios por conta da desaceleração global, foi jogada ainda mais para baixo pela pandemia. E o nosso trabalho foi essencial para manter a cidade funcionando, mesmo em tempos difíceis.
Naquele dia específico, eu estava no meio de um turno exaustivo, carregando containers e organizando a logística. O Porto de Tanjong Pagar estava uma verdadeira correria, com os guindastes movimentando caixas imensas de mercadorias e os caminhões fazendo fila para descarregar. Eu não estava nem aí para nada além da minha tarefa. Mas então, algo estranho aconteceu.
Eu estava empurrando um carro de reboque quando, de repente, uma sensação estranha tomou conta de mim. Não era algo físico, mas uma presença. Algo no ar parecia… diferente. Eu não sabia se era o calor, o cansaço ou alguma coisa na comida do almoço, mas algo me dizia que algo estava prestes a mudar. E então, aconteceu.
Na beira do cais, perto de um dos maiores guindastes, um homem apareceu. Eu olhei para ele e, por um momento, achei que fosse só mais um burocrata do governo vindo verificar alguma coisa. Ele usava um terno simples, mas o olhar dele parecia… como posso explicar? Era como se ele soubesse algo que eu não sabia. Ele se aproximou de mim, e antes que eu pudesse perguntar o que ele queria, ele disse, com uma calma que não fazia sentido naquele ambiente caótico:
“Você foi escolhido para ser o Arcanjo de Singapura. A cidade precisa de você.”
Eu olhei para ele e, honestamente, pensei que ele fosse maluco. Como assim “arcanjo”? De que file ese cara fugiu? E ainda que fose real não seria eu, Jovan, um simples operário do porto, me tornar um arcanjo? Não fazia sentido. Olhei ao redor, esperando que alguém tivesse ouvido e, quem sabe, me tirado uma boa piada.
“Você está de brincadeira comigo?” perguntei, tentando disfarçar minha incredulidade.
Ele apenas sorriu. “Sua cidade precisa de ajuda, Jovan. Não é sobre asas ou brilho. Você tem que guiá-la no que está por vir.”
Antes que eu pudesse protestar mais, o homem se afastou rapidamente, desaparecendo na multidão. Eu fiquei parado, com o som dos navios de carga ao fundo, tentando entender o que acabara de acontecer. Eu queria rir daquilo, como se fosse uma piada de mau gosto, mas algo dentro de mim não permitia. Algo em suas palavras ficou ecoando na minha cabeça. “Sua cidade precisa de ajuda.”
A verdade é que o mundo, naquele momento, parecia mais instável do que nunca. Singapura, como muitos países, estava enfrentando desafios econômicos depois da pandemia. A pressão sobre o nosso porto nunca foi tão intensa. O comércio global, que antes parecia ser uma fonte de prosperidade, estava estagnado. Havia falta de mão de obra, problemas com abastecimento, e os trabalhadores estavam sobrecarregados, como eu.
Nos dias que se seguiram, comecei a ver as coisas de maneira diferente. Não era como se tivesse algo fisicamente transformado em mim, mas a responsabilidade que o homem tinha mencionado parecia ter se cravado na minha mente. Passei a prestar mais atenção nas pequenas coisas ao meu redor, nos colegas de trabalho que pareciam estar à beira de um colapso, nas tensões diárias que tomavam conta de cada movimento no porto. Eu via as dificuldades com novos olhos e comecei a me importar mais. Não só com o trabalho, mas com as pessoas. Quando alguém estava sobrecarregado, eu fazia questão de perguntar se precisava de ajuda. Organizei turnos de forma mais eficiente, tentava aliviar o estresse dos outros com uma palavra amiga, ou simplesmente escutando o que tinham a dizer.
Eu estava fazendo o que podia, mas ainda sentia que algo maior estava por vir. Eu entendia a missão, de alguma forma. Estava sendo mais responsável, mais atento, mais líder do que antes. Mas o que faltava era a certeza. Eu queria entender como realmente poderia ajudar a minha cidade, o meu país.
Então, semanas depois, na mesma área do porto onde tudo começou, o homem apareceu novamente.
Eu estava descansando, jogando os pés para fora da plataforma onde os trabalhadores tomavam suas pausas, quando ele surgiu diante de mim, como se tivesse saído do ar. Seu olhar estava diferente, mais sério, mas ainda carregado de uma calma estranha. Ele não disse nada de imediato. Só me olhou, como se esperasse algo de mim.
“Você entendeu a missão, Jovan?” ele perguntou.
Eu hesitei. Claro, eu entendia. Ou achava que entendia. Mas algo me dizia que ainda faltava um passo.
“Eu… tentei ajudar”, comecei. “Eu vi que as pessoas ao meu redor estão exaustas, que a cidade precisa de união, que o trabalho nunca foi tão árduo. Mas não sei o que mais eu posso fazer.”
O homem sorriu, desta vez com um toque de aprovação. “Você já fez mais do que muitos fariam. A cidade precisa de líderes como você, Jovan. Não daqueles que esperam milagres, mas daqueles que se levantam e fazem a diferença, no dia a dia, nas pequenas coisas.”
Ele então estendeu a mão, e uma luz suave começou a emanar dele, não uma luz ofuscante, mas uma iluminação serena, como o primeiro raio de sol depois de uma chuva. Eu senti uma energia, não só ao meu redor, mas dentro de mim. O calor que antes me incomodava, agora parecia ser reconfortante. Uma sensação de paz, de que eu estava exatamente onde deveria estar.
“Agora,” disse ele, com voz mais grave, “está completo. Você terá suas asas e o poder de ajudar como Arcanjo de Singapura. Você é um líder, Jovan. O verdadeiro poder vem de dentro.”
Eu entendi o meu papel, e sabia que, agora, não era só sobre o trabalho no porto. Era sobre ser a força que conecta os outros, sobre ser um farol em tempos de incerteza.
Como todos no porto, eu estava apenas tentando fazer o meu melhor, mas agora com um propósito mais claro. Sendo abençoado com um poder maior que poderia utillizar para cada dia compreender e ajudar mais o meu pais, o meu lar!
Eu estou disposto a me esforçar e aprender! Quero ser o melhor Arcanjo que possa ter Singapura!