TONGA

Liliʻofa, a anja protetora

Ainda me lembro do dia em que perdi e encontrei minha filha ao mesmo tempo. Ela era meu mundo, minha luz. E agora, ela é luz para todo o nosso povo, uma anja do céu de Tonga.

Ela se chamava Liliʻofa, que significa “generosidade do amor”, e esse nome não poderia ser mais perfeito. Desde pequena, ela irradiava bondade. Corria pelas praias de areia branca, ajudava as mulheres mais velhas a trançarem as esteiras de pandanus e cantava com uma voz que parecia vir de um lugar divino. Seu sorriso sempre carregava a promessa de esperança.

Naquele dia fatídico, o mar parecia mais feroz do que nunca. O tufão havia chegado sem aviso, como uma fera faminta. As ondas invadiam a aldeia, e muitos estavam encurralados. Liliʻofa, sem pensar duas vezes, correu para ajudar. Ela puxava crianças das águas turbulentas, guiava os mais velhos para lugares mais altos e trazia remédios e alimentos que haviam sido deixados para trás.

Foi quando uma grande onda se ergueu, maior que todas as outras. Era como se o próprio oceano testasse sua coragem. E ela, minha Liliʻofa, não hesitou. Ela mergulhou nas águas escuras para salvar uma mãe e seu bebê que estavam presos em um barco à deriva.

A onda a levou.

Meu coração quebrou naquele instante. O choro da aldeia ecoava como um lamento para os deuses. O sol nasceu no dia seguinte, mas para mim parecia que a luz nunca mais retornaria.

Foi então que aconteceu.

Na manhã seguinte, quando estávamos reunidos para lamentar nossa perda, o céu se abriu. Um arco-íris deslumbrante se formou, e dele desceu Liliʻofa. Mas ela não era mais apenas minha filha. Ela era algo maior.

Seu corpo estava envolto em vestes brancas que brilhavam como o sol nas águas do Pacífico. Essas vestes não eram simples: estavam adornadas com desenhos de flores tropicais. Seu corpo também carregava tatuagens intricadas dessas mesmas flores, desenhadas com a precisão de um artista celestial. Pareciam contar histórias de coragem, amor e sacrifício.

Mas o que mais me surpreendeu foi a força em seu olhar. Ela não era apenas uma anja; era uma guerreira, uma protetora. Seus olhos brilhavam com determinação, e sua presença emanava poder.

Liliʻofa falou com uma voz que reverberava em nossos corações:

“Eu me tornei guardiã de nosso povo e deste paraíso que é Tonga. Sempre que as ondas ameaçarem, sempre que os ventos soprarem com fúria, eu estarei aqui. Cuidem uns dos outros, cuidem da nossa terra. Eu estou sempre com vocês.”

Eu chorava, mas agora eram lágrimas de orgulho. Minha filha havia se sacrificado por amor ao nosso povo e ao nosso lar. E agora, como anja, ela continuaria a proteger Tonga.

Desde então, quando vemos o céu brilhar com cores após a chuva, sabemos que é Liliʻofa nos abençoando. Ela nos ensinou que o verdadeiro poder está no amor, na coragem e na dedicação àqueles que precisam.

E eu? Eu sou apenas uma mãe que teve o privilégio de criar uma filha que se tornou um símbolo de esperança para todos nós.

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