Eu sou Alma, a guardiã da resiliência de um povo que carrega a força das montanhas, a riqueza das selvas e a imensidão do horizonte. Meu lugar não é apenas nos céus, mas entre as ruas vibrantes, os campos férteis e as casas simples onde a esperança ainda é cultivada. A Venezuela é uma terra de extremos, de riquezas inigualáveis e desafios que testam a fibra de cada homem, mulher e criança.
Certa vez, ouvi uma canção entoada por uma mulher que caminhava pelas margens do Orinoco. Sua melodia, embora triste, carregava algo mais profundo: uma promessa. Cada nota parecia dizer que, apesar de tudo, os venezuelanos não desistem. Eles partem, sim, buscando novos horizontes. Mas em seus corações, carregam as cores vivas de seu lar, como um fogo que nunca se apaga.
Minha missão é silenciosa, mas constante. Eu sussurro coragem aos que atravessam fronteiras, aos que enfrentam mares, desertos e incertezas. Sigo os que partem e acolho os que ficam, lembrando-os de que as raízes da Venezuela não podem ser arrancadas. Por mais que o vento sopre forte, a árvore da esperança continua de pé.
Há dias em que passeio pelas montanhas do Ávila, observando a cidade abaixo. A abundância natural da Venezuela é um espetáculo à parte. Mesmo em meio às dificuldades, é impossível não admirar a beleza que pulsa neste lugar. Vejo crianças brincando em praças, vendedores que transformam suas mercadorias em arte e famílias que se reúnem em torno de histórias e risadas. Esses momentos me lembram que a verdadeira riqueza de um povo está na sua capacidade de resistir e de encontrar alegria, mesmo nas sombras.
Eu também sinto as cicatrizes deixadas pelos tempos difíceis. O lamento das mães que veem seus filhos partirem, a frustração de pais que lutam para oferecer um futuro melhor. Mas essas dores não definem a Venezuela. O que a define é a forma como cada indivíduo carrega seu pedaço de esperança, construindo, mesmo em meio aos escombros, um amanhã mais digno.
Alma é quem eu sou, não apenas no nome, mas na essência. Eu existo na força dos que seguem adiante e na coragem dos que ficam para reconstruir. Sei que há muito a ser feito, mas também sei que há um espírito aqui que não se quebra. Um espírito que, como a aurora depois da noite mais escura, sempre encontra um jeito de brilhar.
E assim, continuo a minha vigília, entre os sussurros de esperança e os gritos de luta, confiando que, um dia, a Venezuela não será apenas a terra de riquezas naturais, mas também de prosperidade compartilhada. Porque, no coração de cada venezuelano, há uma Alma que nunca para de acreditar.